Parece que as crônicas e os romances são gêneros literários que sempre desfrutaram de grande prestígio no gosto popular. As crônicas então, porque são mais curtas e mais leves, e porque admitem uma linguagem mais fácil e coloquial, disseminadas pelos jornais diários, parecem desfrutar de uma preferência ainda maior. Talvez seja porque permitem expressar observações de momento sobre qualquer coisa, sobre coisas prosaicas, temas do dia-a-dia, enfim, assuntos que facilitam naturalmente a prosa. De fato, o gênero circunstancial, o objetivo tão-somente de retratar o momento, bem como o estilo efêmero das crônicas combinam com a leitura rápida, descontraída, sem compromisso e, por isso mesmo, uma leitura mais prazerosa.
Se eu tivesse alguns recursos literários, gostaria de escrever crônicas. Como não tenho tais recursos, ocorreu-me que poderia escrever posts. Isso mesmo, os cronistas frustrados têm agora na Internet a chance de prosear por meio dos blogs, escrevendo posts. E quem sabe se estes últimos não seriam, no mundo digital, exatamente a nova versão das crônicas tradicionais? Notem como ambos - crônicas e posts -, têm características bem semelhantes: são curtos, são ágeis, permitem retratar o momento, favorecem a comunicação prosaica, são de leitura amena, e acho que comportam até o mesmo estilo de linguagem, ligeiramente “melódica”.
Agradeço ao meu cunhado, Manoel Lemos, que muito prontamente, e com aquela sua inteligência fora do comum, criou-me um blog, teve a gentileza de hospedar-me no seu próprio provedor (blogs.lemos.net/machado) e, com isso, tornou-me um web-incluído, com o que agora disponho de um lugarzinho no mundo onde possa exercitar o meu ofício de cronista (ou seria “postista”? ) frustrado.