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	<title>Blog do Machado</title>
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	<description>Antônio Alberto Machado</description>
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		<title>O proprietário</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Mar 2010 20:57:54 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[&#8220;Eu tenho terras no sul da França&#8221;! Bradava o advogado, batendo na mesa que ficava bem no centro do bar. Os olhos vermelhos, a pele oleosa, os cabelos desalinhados, a roupa desleixada e a loquacidade conhecida de todos revelavam que ele já havia bebido como de costume.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Eu tenho terras no sul da França&#8221;! Bradava o advogado, batendo na mesa que ficava bem no centro do bar. Os olhos vermelhos, a pele oleosa, os cabelos desalinhados, a roupa desleixada e a loquacidade conhecida de todos revelavam que ele já havia bebido como de costume.</p>
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		<title>Camus e o absurdo</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Feb 2010 23:17:18 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[O mito de Sísifo]]></category>

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		<description><![CDATA[Para Albert Camus, o absurdo não está nem no homem nem no mundo, mas na relação do homem com o mundo. Dizia o autor de O mito de Sísifo: “No plano da inteligência, posso pois afirmar que o absurdo não está no homem (se semelhante metáfora pudesse ter um sentido), nem no mundo, mas em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para Albert Camus, o absurdo não está nem no homem nem no mundo, mas na relação do homem com o mundo. Dizia o autor de <em>O mito de Sísifo</em>: “No plano da inteligência, posso pois afirmar que o absurdo não está no homem (se semelhante metáfora pudesse ter um sentido), nem no mundo, mas em sua presença comum”.</p>
<p>O absurdo está exatamente no fato de que o indivíduo, de repente, se vê atirado, e tem que viver, num mundo que lhe é absolutamente estranho, contraditório, complicado, indecifrável e tantas vezes irracional. Essa condição absurda do homem torna-o um autêntico estrangeiro, ou seja, alguém exilado num mundo desconhecido e inóspito.</p>
<p>Daí por que Camus concluiu também que o absurdo nasce justamente dos apelos humanos diante do silêncio despropositado do mundo. E, com efeito, se bem observada a circunstância existencial do homem, o que se constata é justamente esse silêncio do mundo nos instantes em que a vida humana perde o seu sentido, na medida em que ela se apresenta como um contínuo de realizações apenas parciais, onde, por exemplo, até mesmo o amor só perdura se for contrariado.</p>
<p> Assim é que as tristezas, as dúvidas, as alegrias efêmeras, as perplexidades acabam por transmitir mesmo um sentimento de estraneidade no indivíduo. E este sentimento nada mais é do que a sensação de estar exilado num universo que não é o seu. Ou, mais precisamente falando, o sentimento de alienação frente ao silêncio do mundo que não proporciona explicações racionais para as questões humanas fundamentais. E talvez aqui estivéssemos falando daquele conhecido “sentimento de vazio” ou da ausência de sentido para o destino humano, quiçá a própria “náusea” de que nos falava Jean-Paul Sartre.</p>
<p>É curioso como até mesmo a sabedoria popular, sabedoria naturalmente filosófica, sobretudo naquelas ocasiões em que se depara com o absurdo da morte, em especial a morte inesperada e abrupta, costuma expressar o sentimento de estraneidade naquela frase popularíssima, e de algum modo reconfortante: “nós não somos mesmo deste mundo”. Tomemos, para exemplo do absurdo inexplicável, a cena de um avião explodindo na costa de Nova Iorque ou nos arredores de Fernando de Noronha, com centenas de pessoas a bordo despejadas no mar, ou ainda os milhares de corpos empilhados pelas ruas da capital do Haiti. Alguém sempre dirá: é a vontade de Deus; dirá o homem camusiano: é o absurdo. Nessa mesma linha, suponhamos, por exemplo, a perda de um ente querido, no frescor da idade, vitimado por um acidente estúpido, ou o sofrimento de uma criança, a separação dos que se amam, a degenerescência física do homem etc. Há explicação para tanta irracionalidade?</p>
<p>E o que não dizer das guerras, da miséria, da exploração do homem, da degradação ambiental, enfim, da instrumentalização da humanidade em nome da acumulação, do lucro, ou de um suposto progresso científico e de uma mal arrevesada evolução tecnológica? Como explicar, e conviver, com a absurdidade da razão instrumental?</p>
<p>Tais irracionalidades ultrapassam a consciência do homem e escapam a qualquer explicação mundificada. Daí o desespero e a angústia inerentes à condição humana, decorrentes do “silêncio despropositado” de um mundo absurdo e indecifrável, cujo sentido, se houver, não poderá jamais ser alcançado pela consciência humana. Eis, portanto, a inexorabilidade do absurdo que põe a necessidade de encará-lo sem ilusões e sem esperanças, ou seja, sem as esperanças e ilusões que poderiam desviar o homem da verdade.</p>
<p>É precisamente o sentimento meio difuso de exílio, de estraneidade do homem, atirado num mundo inóspito e incompreensível que torna a vida humana uma experiência trágica e absurda. Daí que a reconciliação do homem com o mundo, em Camus, parece se dar apenas com a morte, ou, noutros termos, com a coisificação mundificada do ser humano que, na sua existencialidade viva, “não é mesmo deste mundo” e, portanto, não pode se reconciliar com ele.</p>
<p>Camus exemplificou o absurdo com a tragédia de Sísifo, que na mitologia grega teria sido condenado a carregar um rochedo até o topo de uma montanha, o qual sempre acabava rolando montanha abaixo. A condenação de Sísifo era exatamente descer até a base da montanha, apanhar a pedra, levá-la até o cume para que ela voltasse a rolar ao sopé, quando então ele deveria retomar o seu trabalho de levar o rochedo novamente até o cimo da montanha, sucessiva e indefinidamente. Este trabalho de Sísifo, para o autor de O estrangeiro, representa o absurdo, o irracional da condição humana, já que a humanidade, dia após dia, realiza as mesmas tarefas em direção ao nada.</p>
<p>Mas, Sísifo parece desprezar seu sofrimento ao tomar consciência de sua condição absurda no instante em que Camus afirma: “Se esse mito é trágico, é que seu herói é consciente. Onde estaria, de fato, a sua pena, se a cada passo o sustentasse a esperança de ser bem sucedido? O operário de hoje que trabalha todos os dias de sua vida nas mesmas tarefas com esse destino não é menos absurdo. Mas ele só é trágico nos raros momentos em que se torna consciente. Sísifo, proletário dos deuses, impotente e revoltado, conhece toda a extensão de sua condição miserável: é nela que ele pensa enquanto desce. A lucidez que devia produzir o seu tormento consome, com a mesma força, sua vitória. Não existe destino que não se supere pelo desprezo” .</p>
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		<title>O escolhido</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Feb 2010 08:33:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>machado</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ele abriu a porta do armário, passou as mãos e os olhos pelos ternos dependurados um ao lado do outro, escolheu o &#8220;terno azul-claro&#8221;, vestiu-o com uma camisa branca e a velha gravata azul de listras cor de vinho, calçou meias azuis e sapatos pretos, mirou-se no espelho e foi embora.
Na penumbra do armário, os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ele abriu a porta do armário, passou as mãos e os olhos pelos ternos dependurados um ao lado do outro, escolheu o &#8220;terno azul-claro&#8221;, vestiu-o com uma camisa branca e a velha gravata azul de listras cor de vinho, calçou meias azuis e sapatos pretos, mirou-se no espelho e foi embora.</p>
<p>Na penumbra do armário, os outros ternos se perguntavam aonde é que iria o &#8220;terno azul-claro&#8221;, com tanta pressa e tanto mau-humor, naquela manhã ensolarada de segunda-feira. À noite, quando retornou ao armário, disse meio enfarado: &#8220;estive outra vez no tribunal&#8221;, desabafando, &#8220;não entendo como aquele juiz pode se dar tanta importância!&#8221;. Os outros ternos permaneceram calados, todos eles conheciam o juiz e a rotina do tribunal, não havia nenhuma novidade e nenhum interesse naquele dia exaustivo do &#8220;terno azul-claro&#8221;. Azar dele!</p>
<p>Com ar pensativo e uma certa nostalgia, o &#8220;terno preto&#8221; recordava aos demais a noite glamourosa do casamento. No começo da festa sentia-se um pouco tenso, apreensivo, pois sabia que estava no centro das atenções. Todos vinham cumprimentá-lo, e apesar da emoção, distribuía abraços protocolares, mantendo sempre um sorriso comedido no rosto. Depois, foi se soltando aos poucos por entre as luzes, a música e o burburinho dos convidados. Andava de um lado para o outro bem mais a vontade, sentindo, porém, a multidão de olhares, uns atentos outros interrogativos, que os convidados lhe dirigiam discretamente.  &#8220;Saí-me bem&#8221;, disse com ares narcisistas, olhando para o &#8220;terno marron&#8221; que estava ao seu lado.</p>
<p>Todos ouviam com atenção e sem nenhuma ponta de inveja nem de ressentimento. Sabiam que os compromissos de gala, cumpridos geralmente à noite, estavam sempre reservados ao &#8220;terno preto&#8221;. Foi assim também na formatura, no lançamento do livro e em tantas outras ocasiões importantes. Tratava-se de uma questão de etiqueta e não de privilégio. Era uma espécie de missão que o &#8220;terno preto&#8221; deveria cumprir, e cumpria-a resignadamente, às vezes até com um certo prazer.</p>
<p>O &#8220;terno bege&#8221; lembrou que também já havia comparecido a algumas solenidades importantes, mas concordou que o seu destino era mesmo os compromissos do dia-a-dia, cumpridos numa rotina igual e burocrática, sem nenhum sabor especial, porém, absolutamente necessária. É certo que em alguns eventos havia recebido até alguns aplausos, como naquela palestra em que conseguiu juntar física quântica e direitos do homem. Não reclamava do seu destino burocrático, pois apesar de tudo andava sempre muito garboso, com todos os seus vincos destacados, por vezes até recebia algum elogio, e era alvo, como todos os ternos, de um certo reconhecimento social.</p>
<p>Uma luz fina penetrava pela fresta da porta e deixava o armário iluminado. Os ternos se agitavam num burburinho incomum, todos tentando advinhar qual seria o compromisso daquele domingo de manhã, já que não era usual sair aos domingos, muito menos num mês de férias. Interpelavam-se uns aos outros, arriscavam palpites quando a porta abriu de repente e tiveram de se recolher ao silêncio de sempre. Apenas a manga do &#8220;terno cinza&#8221;, que estava encostada na porta, moveu-se bruscamente, disfarçando a ansiedade.</p>
<p>Quem saiu naquele domingo foi o &#8220;terno verde-água&#8221;. Saiu sem pressa, descontraído, como quem sai bem cedo para ir a uma festa. O tecido leve e o corte bem feito acentuavam-lhe uma &#8220;caída&#8221; natural, espontânea. Sentia-se à vontade. Ficou deslumbrado quando entrou no teatro e viu que os membros da orquestra já se preparavam, com modos mecânicos e gestos calculados, para aquele concerto de verão. A plateia também se ajeitava de maneira sincronizada, produzindo um rumor abafado, como se fizesse parte do espetáculo. Logo após o <em>adagio maestoso</em> da sinfonia nº 3 de Franz Schubert, ele já estava convencido de que a música era muito mais do que as simples ondas sonoras que os ouvidos captavam. Foi a partir desse dia que se tornaram frequentes no armário as conversas sobre a música erudita e suas etapas, desde o cantochão, passando pela música sacra de Palestrina e Haydin, pelo barroco de Vivaldi e Bach, pela forma clássica de Mozart, pelo romantismo de Beethoven, Schubert, Chopin e Richard Wagner, até a música contemporânea.</p>
<p>Numa quarta-feira chuvosa, o &#8220;terno marrom&#8221; saiu contrariado para um compromisso na universidade. Estava entediado, havia perdido a hora e tinha pouca afinidade com o assunto de que iria tratar. Era mais para cumprir a burocracia acadêmica. Voltou à noite, cansado e sem entusiasmo, queixando-se do eruditismo e da cultura ilustrada. Havia uma certa amargura no seu olhar quando pousou os braços nos ombros do &#8220;terno azul-marinho&#8221; e disse, &#8220;não aguento mais todo aquele pedantismo&#8221;. Continuou reclamando: &#8220;a universidade, que deveria ser o espaço do saber e da invenção, está afundando melancolicamente de tanto se repetir&#8221;. Preferia não ter participado daquela encenação acadêmica. Sentiu a inutilidade de tudo.</p>
<p>Os dias seguiam iguais na penumbra monótona do armário. Agitação mesmo, só quando ficavam tentando advinhar quem seria o escolhido para o próximo compromisso. Nessas ocasiões havia uma certa excitação, às vezes até um rumor exagerado e perigoso. Então a porta se abria, eles se recolhiam ao mutismo necessário, o escolhido partia para o compromisso, e as conversas voltavam ao seu curso normal, sobre as banalidades do cotidiano e sobre tudo o mais. Nessas ocasiões eles mergulhavam no tédio e num certo cansaço metafísico, como se não houvesse nada lá fora, nada além do armário imerso na penumbra.</p>
<p>Havia, no entando, um assunto que nunca fora objeto de especulação entre eles. Na verdade, era um tabu que todos temiam. Uma espécie de assunto proibido. De fato, nenhum deles ousava arriscar qualquer palpite sobre quem seria o escolhido para o último compromisso. Evitavam especular também acerca de quando esse compromisso se daria. Tinham apenas a certeza de que, quando chegasse o dia fatal, a porta se abriria e o eleito seria escolhido por um estranho, por alguém que possivelmente não conhecia as características, as preferências e as inclinações de cada um deles, escolhido a esmo e aleatoriamente. Escolhido por um funcionário implacável, indiferente e sem nenhuma sensibilidade.</p>
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		<title>O outro lado da fé</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Feb 2010 17:22:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>machado</dc:creator>
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		<category><![CDATA[fé e razão]]></category>
		<category><![CDATA[hóstia sagrada]]></category>

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		<description><![CDATA[A fé é uma espécie de dom. Isto é, o dom de ter esperança. Esperança que sempre ajuda a enfrentar a angústia, o absurdo e o desespero que tanto atormentam a existência do homem. Dessa forma, a capacidade de ter fé, de seguir acreditando, de não desanimar nunca, mesmo diante do silêncio, da dor e dos absurdos que a vida [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A fé é uma espécie de dom. Isto é, o dom de ter esperança. Esperança que sempre ajuda a enfrentar a angústia, o absurdo e o desespero que tanto atormentam a existência do homem. Dessa forma, a capacidade de ter fé, de seguir acreditando, de não desanimar nunca, mesmo diante do silêncio, da dor e dos absurdos que a vida nos vai colocando, é algo realmente muito importante e até desejável.</p>
<p>Mas, como tudo no mundo, a fé tem também os seus problemas. Veja que às vezes ela fica  muito vulnerável, suscetível até, às inúmeras investidas do fanatismo. Sempre foram muito comuns os casos de sacrifícios físicos, de auto-flagelos, de renúncia de si mesmo, e até de muitas guerras deflagradas em nome da fé religiosa, ou de algum Deus, sendo Este qual for.</p>
<p>Um outro problema reside no fato de que a fé  não pode e não sabe entender-se a si mesma. Isto é um sinal de que ela não deseja, ou não consegue utilizar o raciocínio humano para explicar-se. Deve ser por isso que dizem que a fé é cega. Embora não seja caso de voltar à antiga querela entre fé e razão, o fato é que o bloqueio do raciocínio sempre leva a alguma forma de cegueira ou de dogma, e isto, como já ficou claro desde o triunfo das ideias iluministas no século XVIII, pode ser muito perigoso.</p>
<p>Certa ocasião, a propósito da mística do dia de “Corpus Christi”, perguntei a um casal muito amigo e muito religioso por que é que a hóstia sagrada representava o “corpo de Cristo”. E eles disseram, quase que em uníssono, que a hóstia não representa o corpo de Cristo, ela não é um símbolo, ela é o próprio corpo de Jesus, ou um pedaço dele. Para deixar as coisas bem claras, tornei a perguntar se a hóstia era um símbolo ou o corpo mesmo de Cristo. E eles, sem pestanejar, reafirmaram, com a maior convicção do mundo, que ela era de fato uma parte do próprio corpo do filho de Deus, não apenas uma representação simbólica, ou mística, desse corpo. Nem é preciso dizer que a conversa não prosseguiu, pois a questão estava definitivamente respondida, definitivamente resolvida.</p>
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		<title>O erro de Deus</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Jan 2010 12:08:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>machado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Avesso]]></category>
		<category><![CDATA[criacionismo]]></category>
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		<description><![CDATA[O erro de Deus foi querer criar este mundo, com tudo que há por aqui, de bem ou de mal, de bom ou de ruim. Foi realmente um grande equívoco reinvidicar tudo para Si; assumir a autoria ou paternidade de toda a criação, apresentando-se como um Ser onipotente, onipresente e onisciente que determina até mesmo o momento em que uma folha seca deverá desprender-se da árvore. 
É [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O erro de Deus foi querer criar este mundo, com tudo que há por aqui, de bem ou de mal, de bom ou de ruim. Foi realmente um grande equívoco reinvidicar tudo para Si; assumir a autoria ou paternidade de toda a criação, apresentando-se como um Ser onipotente, onipresente e onisciente que determina até mesmo o momento em que uma folha seca deverá desprender-se da árvore. </p>
<p>É verdade que ao perceber o seu erro megalomaníaco Deus fez duas tentativas de repará-lo. Primeiro tratou de criar logo o diabo, atribuindo-lhe a autoria de tudo aquilo que há de mal e que não deu certo na criação; depois mandou o seu filho Salvador para nos livrar de toda a maldade do mundo, ajudando-nos a suportar as misérias, as desgraças, as tragédias e o desespero.</p>
<p>Porém, o fato é que nem uma nem outra tentativa acabou dando certo. Com efeito, a criação do diabo para assumir a paternidade do mal foi também um erro por parte de Deus porque é moralmente insustentável atribuir aos outros a responsabilidade pelos próprios deslizes, eximindo-se de qualquer culpa. E o diabo é também uma criação divina que acabou ficando por aqui e continua fazendo das suas, ampliando o mal por cima do bem.  O filho de Deus, por seu turno, também andou por aqui mas falhou na sua missão salvadora e acabou crucificado, propiciando apenas o surgimento de uma grande religião, ao lado de outras duas igualmente grandes (e outras tantas menores), as quais têm dividido os homens que às vezes até se matam em  nome das suas respectivas crenças. </p>
<p>Até os homens, imperfeitos que são, também se puseram ao trabalho de reparar o erro de Deus, criando ideologias religiosas como o gnosticismo, por exemplo, que imagina a existência de um Deus menor e um Deus maior, ou um Deus bom e um Deus mal, atribuindo a este último a autoria de todas as misérias e mazelas que andam no mundo, na tentativa de isentar de culpa o Deus maior, o Deus bom, o Deus verdadeiro.</p>
<p>Não há dúvida de que, do ponto de vista estratégico, o melhor para Deus seria que Ele se apresentasse como alguém que chegou aqui e encontrou o mundo já pronto e acabado, tal como ele é, criado sabe-se lá por quem, talvez pelo diabo, e se pusesse ao trabalho digno e árduo de consertá-lo. Isso tornaria mais prática a tarefa de Deus e mais lógico os seus argumentos quando tivesse de explicar as mazelas do mundo e o mal que nele vai, sem qualquer embaraço ou constrangimentos, sem nenhuma responsabilidade, sempre na posição de autêntico representante do bem, adversário do mal, Salvador da humanidade. Mas agora parece que é tarde. O jeito é começar tudo de novo.</p>
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		<title>A solidão</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Jan 2010 02:19:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>machado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Avesso]]></category>
		<category><![CDATA[alegria]]></category>
		<category><![CDATA[condição absurda]]></category>
		<category><![CDATA[condição humana]]></category>
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		<category><![CDATA[solidão]]></category>

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		<description><![CDATA[O homem é um ser gregário, só pode viver (e sobreviver) em sociedade, mas está condenado à solidão. Esse é um daqueles paradoxos que nem a ciência nem a filosofia jamais conseguiram explicar. E talvez não haja mesmo nenhuma explicação plausível para a solidão humana.
Por mais que se esteja cercado de pessoas, por mais que se busque [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O homem é um ser gregário, só pode viver (e sobreviver) em sociedade, mas está condenado à solidão. Esse é um daqueles paradoxos que nem a ciência nem a filosofia jamais conseguiram explicar. E talvez não haja mesmo nenhuma explicação plausível para a solidão humana.</p>
<p>Por mais que se esteja cercado de pessoas, por mais que se busque a companhia dos outros, por mais que se esteja num mundo cheio de gente, de luzes e de sons, ainda assim haverá sempre uma solidão essencial, inerente à própria condição humana, e que contribui para tornar essa condição uma experiência ainda mais absurda.</p>
<p>Deve ser porque cada ser humano é único, é o resultado de algumas experiências tão singulares, tão próprias, tão profundas, que não podem mesmo ser compartilhadas. É que as circunstâncias mais profundas, justamente as mais decisivas, como a dor, o medo, as angústias, a alegria, o amor, a esperança, os sonhos e até a própria morte, no fundo, são experiências que só podem ser vivenciadas exclusivamente pelo próprio indivíduo, são experiências que se processam no interior, no íntimo, ou nas entranhas de cada um, silenciosa e solitariamente. Como já o disse André Malraux, &#8220;ninguém deita senão consigo mesmo&#8221;. Ou com os seus próprios medos e esperanças. A intimidade é uma solidão oficial, garantida por lei.</p>
<p>Não há saída, não há como fugir à solidão fundamental, indelével, presa no fundo de cada ser humano, como um destino inelutável, desesperadamente intransferível.</p>
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		<title>Albert Camus</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Jan 2010 02:14:05 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Neste último 04 de janeiro completaram-se 50 anos da morte do escritor, jornalista e pensador Albert Camus. Nascido em Mondovi, na Argélia, em 7 de novembro de 1913, e morto em 4 de janeiro de 1960, vítima de um acidente de automóvel em Villeblevin, nos arredores de Paris, o filósofo franco-argeliano foi um dos pensadores mais importantes do século XX. Nascido de pais pobres - o pai morreu muito cedo na Primeira Guerra, em 1914, quando Camus tinha apenas 1 ano de idade, e a mãe, de origem espanhola, era dona de casa &#8211; viveu desde menino na casa da avó, em companhia da mãe, do irmão mais velho e de um tio que era tanoeiro e que deveria ensinar-lhe essa profissão. Camus estudou emArgel com muita dificuldade e em 1939 mudou-se para Paris, onde passou a viver durante algum tempo na casa da sogra, em companhia da mulher Francine e dos dois filhos, Catherine e Jean. Vivendo como um autêntico <em>pied-noir</em> (argeliano naturalizado francês), teve de vencer a pobreza e a tuberculose.</p>
<p>E venceu a ambas, tornando-se jornalista, escritor, dramaturgo, filósofo e ganhador do prêmio nobel de literatura em 1957. O autor de <em>O estrangeiro</em>, <em>A peste</em>, <em>O mito de Sísifo</em>, <em>O homem revoltado</em>, <em>Os justos</em>, <em>Calígula</em> e de muitos outros romances, ensaios, novelas e peças de teatro, fez do absurdo da condição humana o ponto de partida para as suas mais profundas reflexões filosóficas.  É, talvez, o filósofo mais lúcido do século XX, conquanto houvesse morrido tão jovem, aos 47 anos, num estúpido (absurdo) acidente de automóvel.</p>
<p>Cinquenta anos depois de sua morte, é impressionante como alguns dos seus conceitos e categorias, como a própria noção de absurdo, de suicídio físico e intelectual e de revolta metafísica e histórica ainda continuam tão atuais. Camus negava peremptoriamente o rótulo de existencialista, mas as suas reflexões acerca da condição humana e das angústias do homem fazem-no, ao lado de Jean-Paul Sarte, um dos mais autênticos representantes do existencialismo francês no século passado.</p>
<p>Albert Camus foi um homem angustiado que percebeu no absurdo um ponto de vista privilegiado para a busca incansável da verdade num mundo crivado de contradições e de desesperança. As experiências absurdas, o “nonsense” da vida humana, o “sem sentido” que é estar num mundo absurdo, a falta de perspectivas, a solidão humana e as angústias daí decorrentes, constituem o universo das reflexões camusianas e, segundo o próprio filósofo, seriam os grandes desafios do homem lúcido.</p>
<p>O pensamento de Camus deve ser entendido para além de preconceitos políticos ou ideológicos, como uma luta jamais abandonada contra qualquer tipo de conformismo. Esse pensador foi realmente um intelectual engajado, um homem do seu tempo, mas um homem singular porque nunca se filiou, apaixonada e sectariamente, a qualquer corrente de pensamento, ideologia, orientação partidária, igreja ou religião. Além do que, como diria Fernando Pessoa, Camus não se socorreu jamais de qualquer espécie de manipanso, de fetiche, de refúgio – esotérico ou material –, para explicar ou até mesmo para se livrar da conhecida angústia existencial que, aliás, atravessou toda a sua vida e toda a sua obra.</p>
<p>Com efeito, é mesmo muito curioso o mecanismo mental desse argeliano naturalizado francês. Na verdade, uma mentalidade caracterizada, especialmente, pela coragem de estar frente a frente com o absurdo, de enxergá-lo em toda a sua plenitude, e de, mesmo diante do inexplicável, manter a lucidez desesperada, sem recorrer jamais a qualquer tipo de misticismo ou suicídio intelectual. Nas palavras de Roberto de Paula Leite, o grande mérito de Camus está em que ele “procurou convidar os homens a pensar, a cair sobre si mesmos na tentativa difícil, mas louvável de encontrar seu próprio destino”.</p>
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		<title>Não há sonho</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Jan 2010 01:50:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>machado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Avesso]]></category>
		<category><![CDATA[Calderón de la Barca]]></category>
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		<description><![CDATA[&#8220;A vida é sonho&#8221;, apregoava Calderón de la Barca já no século XVII. Alguns séculos depois o astro pop, John Lennon, proclamava: &#8220;o sonho não acabou&#8221;. E uma legião de idealistas ainda continua conclamando: &#8220;o sonho não pode morrer&#8221;.
Pois bem, eu digo que a vida não é sonho e que os sonhos também morrem. De fato, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;A vida é sonho&#8221;, apregoava Calderón de la Barca já no século XVII. Alguns séculos depois o astro<em> pop</em>, John Lennon, proclamava: &#8220;o sonho não acabou&#8221;. E uma legião de idealistas ainda continua conclamando: &#8220;o sonho não pode morrer&#8221;.</p>
<p>Pois bem, eu digo que a vida não é sonho e que os sonhos também morrem. De fato, a vida tem lá os seus pesadelos, não é feita de sonhos apenas, e os sonhos acabam, ou porque se frustram ou porque se realizam. E há ainda os que são abandonados, ou substituídos por outros sonhos, o que parece ser uma espécie de traição, pois não há nada pior para um sonho do que ser trocado por outro!</p>
<p>Há, bem sei, os que andam carregados de sonhos, de ilusões, fantasias e esperanças. São invejáveis, mas era bom que soubessem que os sonhos são efêmeros como a bruma que se esvai, são fugazes como as ondas do mar que arrebentam na praia, são transitórios como o vento que passa ligeiro&#8230; Impermanência e ilusão, na realidade os sonhos não existem, só há sonhadores.</p>
<p>Serra da Canastra, Janeiro/2010</p>
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		<title>Ainda o silêncio</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Nov 2009 02:51:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>machado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Avesso]]></category>
		<category><![CDATA["o silêncio é uma arte"]]></category>
		<category><![CDATA["só o silêncio é certo"]]></category>
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		<description><![CDATA[A sabedoria popular costuma valorizar o silêncio. Há uma infinidade de ditos populares que o atestam. Correm alguns como: &#8220;a palavra é prata, o silêncio é ouro&#8221;; &#8220;nunca arrependerás do teu silêncio&#8221;; &#8220;quem muito fala, muito erra&#8221;; &#8220;quem fala demais, dá bom-dia a cavalo&#8221;; &#8220;em boca fechada, não entra mosca&#8221; e outros mais. Até o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A sabedoria popular costuma valorizar o silêncio. Há uma infinidade de ditos populares que o atestam. Correm alguns como: &#8220;a palavra é prata, o silêncio é ouro&#8221;; &#8220;nunca arrependerás do teu silêncio&#8221;; &#8220;quem muito fala, muito erra&#8221;; &#8220;quem fala demais, dá bom-dia a cavalo&#8221;; &#8220;em boca fechada, não entra mosca&#8221; e outros mais. Até o José Saramago, num de seus romances, sentenciou: &#8220;só o silêncio é certo&#8221;.</p>
<p>Aliás, não é apenas a sabedoria popular que valoriza o silêncio. Na cultura jurídica ocidental ele até já ganhou o &#8220;status&#8221; de verdadeiro direito, ou melhor, &#8220;status&#8221; de direito fundamental, instalando-se no rol das garantias constitucionais dos acusados. Pois, como se sabe, os réus podem permanecer calados diante de juízes e tribunais sem nenhum prejuízo para as suas defesas, como, por exemplo, o prejuízo do &#8220;quem cala consente&#8221;.</p>
<p>Um filósofo, não me lembro qual, já aconselhou o seguinte: quando não se tem certeza de que aquilo que se vai falar é melhor do que o silêncio, deve-se permanecer calado&#8221;. O escritor e poeta italiano, Alessandro Manzoni, neto do famoso penalista Cesare de Beccaria, afirmava que &#8220;só a música consegue exprimir mais do que o silêncio&#8221;.</p>
<p>Pois é, o silêncio parece ser realmente algo precioso, valorado como sinal de sabedoria e prudência pela cultura popular, pela filosofia, pelos poetas e até pelo direito. Mas, apesar disso, ou talvez por isso mesmo, observe-se como nem sempre é fácil exercitá-lo. O silêncio é uma arte!</p>
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		<title>O destino</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Nov 2009 06:23:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>machado</dc:creator>
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		<category><![CDATA[destino]]></category>
		<category><![CDATA[determinismo]]></category>
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		<description><![CDATA[As opiniões se dividem entre os que acreditam e os que não acreditam no destino. Para alguns, tudo aquilo que acontece no mundo, acontece porque teria de acontecer mesmo, já estava pré-determinado pelo &#8220;destino&#8221;, como se fosse o resultado fatal de uma &#8220;lei de causa e efeito&#8221;. Para outros, no entanto, não existe um destino pré-estabelecido, fatal e determinístico, pois tudo quanto acontece [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As opiniões se dividem entre os que acreditam e os que não acreditam no destino. Para alguns, tudo aquilo que acontece no mundo, acontece porque teria de acontecer mesmo, já estava pré-determinado pelo &#8220;destino&#8221;, como se fosse o resultado fatal de uma &#8220;lei de causa e efeito&#8221;. Para outros, no entanto, não existe um destino pré-estabelecido, fatal e determinístico, pois tudo quanto acontece na vida do homem seria produto do seu agir intencional, do seu livre-arbítrio, das livres escolhas de cada um, ou, quando muito, obra do acaso.</p>
<p>Porém, no fundo, essa discussão parece não ter sentido nenhum. Realmente, tudo o que acontece, simplesmente acontece porque aconteceu, e, por isso mesmo, trata-se de um fato histórico e pronto. A única realidade é aquela que de fato ocorreu e que passou a existir, seja lá qual for o motivo que a determinou. Não há, portanto, uma alternativa à realidade que já se consumou. O que é real é um fato consumado que aniquilou a possibilidade de ser um fato diferente, ou de se constituir numa outra realidade.</p>
<p>É claro que tudo o que acontece de uma determinada maneira poderia ter acontecido de maneira diferente. Mas, aquilo que não aconteceu, simplesmente não existe. E se não existe não poderia ser obra de nada nem de ninguém. Logo, só se pode falar em destino, em livre-arbítrio ou em acaso depois que os fatos acontecerem, depois que eles se tornarem realidade. Por isso, não tem sentido, nem por quê, falar-se que a realidade e os fatos, que sempre acontecem numa ou noutra direção, seriam obra disto ou daquilo, pois tudo o que é, é, e pronto. O destino constata-se depois.</p>
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