É lugar comum afirmar que o homem é um ser gregário, que só pode viver (e sobreviver) em sociedade. Mas, apesar disso, está condenado à solidão. Esse é um daqueles paradoxos que nem a ciência nem a filosofia jamais conseguiram explicar. E talvez não haja mesmo nenhuma explicação plausível para a solidão humana.
Por mais que se esteja cercado de pessoas, por mais que se busque a companhia dos outros, por mais que se esteja num mundo cheio de gente, de luzes e de sons, ainda assim haverá sempre uma solidão essencial, inerente à própria condição humana e que contribui para tornar essa condição uma experiência absurda.
Deve ser porque cada ser humano é único, é o resultado de algumas experiências tão singulares, tão próprias, tão profundas, que não podem mesmo ser compartilhadas. É que as circunstâncias mais profundas, justamente as mais decisivas, como a dor, o medo, as angústias, a alegria, o amor, a esperança, os sonhos e até a própria morte, no fundo, são experiências que só podem ser vivenciadas exclusivamente pelo próprio indivíduo.
Essas experiências são daquelas que se processam no interior de cada um, no mais íntimo do homem, nas suas entranhas, silenciosamente, solitariamente. Como já o disse André Malraux, “ninguém deita senão consigo mesmo”. Ou com os seus próprios medos e esperanças.
Não há saída, não há como fugir à solidão fundamental, indelével, presa no fundo de cada ser humano, como um destino inelutável, desesperadamente intransferível.