Ainda o silêncio

A sabedoria popular costuma valorizar o silêncio. Há uma infinidade de ditos populares que o atestam. Correm alguns como: “a palavra é prata, o silêncio é ouro”; “nunca arrependerás do teu silêncio”; “quem muito fala, muito erra”; “quem fala demais, dá bom-dia a cavalo”; “em boca fechada, não entra mosca” e outros mais.

Aliás, não é apenas a sabedoria popular que valoriza o silêncio. Na cultura jurídica ocidental ele até já ganhou o “status” de verdadeiro direito, ou melhor, “status” de direito fundamental, instalando-se no rol das garantias constitucionais dos acusados. Pois, como se sabe, os réus podem permanecer calados diante de juízes e tribunais sem nenhum prejuízo para as suas defesas, como, por exemplo, o prejuízo do “quem cala consente”.

Um filósofo, não me lembro qual, já aconselhou mais ou menos o seguinte: “quando não se tem certeza de que aquilo que se vai falar é melhor do que o silêncio, deve-se permanecer calado”. O escritor e poeta italiano, Alessandro Manzoni, neto do famoso penalista Cesare de Beccaria, afirmava que “só a música consegue exprimir mais do que o silêncio”.

A literatura também já andou reverenciando o silêncio. José Saramago, num de seus romances, sentenciou: “só o silêncio é certo”. E no final de tudo, depois da morte, como disse Hamlet, o célebre personagem de Sheakspeare, “the rest is silence”.  

Pois é, o silêncio parece ser realmente algo precioso, valorado como sinal de sabedoria e prudência pela cultura popular, pela filosofia, pela literatura, pelos poetas e até pelo direito. Mas, apesar disso, ou talvez por isso mesmo, observe-se como nem sempre é fácil exercitá-lo. O silêncio é uma arte!

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