O destino

As opiniões se dividem entre os que acreditam e os que não acreditam no destino. Para alguns, tudo aquilo que acontece no mundo, acontece porque teria de acontecer mesmo, já estava pré-determinado pelo “destino”, como se fosse o resultado fatal de uma “lei de causa e efeito”. Para outros, no entanto, não existe um destino pré-estabelecido, fatal e determinístico, pois tudo quanto acontece na vida do homem seria produto do seu agir intencional, do seu livre-arbítrio, das livres escolhas de cada um, ou, quando muito, obra do acaso.

Porém, no fundo, essa discussão parece não ter sentido nenhum. Realmente, tudo o que acontece, simplesmente acontece porque aconteceu, e, por isso mesmo, trata-se de um fato histórico e pronto. A única realidade é aquela que de fato ocorreu e que passou a existir, seja lá qual for o motivo que a determinou. Não há, portanto, uma alternativa à realidade que já se consumou. O que é real é um fato consumado que aniquilou a possibilidade de ser um fato diferente, ou de se constituir numa outra realidade.

É claro que tudo o que acontece de uma determinada maneira poderia ter acontecido de maneira diferente. Mas, aquilo que não aconteceu, simplesmente não existe. E se não existe não poderia ser obra de nada nem de ninguém. Logo, só se pode falar em destino, em livre-arbítrio ou em acaso depois que os fatos acontecerem, depois que eles se tornarem realidade. Por isso, não tem sentido, nem por quê, falar-se que a realidade e os fatos, que sempre acontecem numa ou noutra direção, seriam obra disto ou daquilo, pois tudo o que é, é, e pronto. O destino constata-se depois.

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