A vida, o amor e o tempo

A vida e o amor têm muita coisa em comum. Dizem que ambos são belos, sublimes, sagrados. Pode-se dizer até que a vida, quase sempre, é o resultado do amor. Mas há ainda uma outra identificação entre os dois que é especialmente marcante, ou seja, o amor e a vida pretendem ser eternos. E até se poderia dizer que são mesmo, parafraseando o imortal Vinícius de Moraes, mas só enquanto durarem.

Essa é a questão: o belo, o sublime, o sagrado e até a eternidade somente têm sentido se levarmos em conta o fator tempo, ou seja, a ideia de duração. Mas o próprio tempo é um limite, e o problema é que todo limite tem algo de incompreensível e de absurdo. Veja como o limite da vida pode estar logo ali, numa doença incurável, num acidente fatal, ou pode estar lá longe, na velhice dolorosa e decrépita, mas, em qualquer caso, sempre será uma expressão do absurdo: tanto a morte prematura quanto a lenta degeneração.

É curioso como o limite do amor parece seguir, mais uma vez, um destino semelhante ao limite da vida, pois ele pode estar logo ali na separação brusca e inevitável, ou mais longe, na ação prolongada e corrosiva do tempo, que põe a indiferença no lugar do desejo.

O segredo parece estar, portanto, exatamente no tempo. No tempo da vida, no tempo do amor e no tempo do limite. Mas, e o tempo, o que seria?  Se não encontrarmos uma boa resposta, podemos ficar ainda com o velho Horácio: carpe diem, na vida e no amor!

Mas, é importante notar, o carpe diem horaciano não esclarece nada, apenas suspende o raciocício sobre qualquer possível explicação para o absurdo da condição humana, e talvez seja até uma espécie de alívio, ou de compensação, para esse absurdo.

A explicação deve estar mesmo no tempo, que é uma das dimensões da realidade, segundo a física de Einstein. E talvez seja justamente por isso, por ser uma das quatro dimensões do real, por ser parte integrante de tudo quanto existe, que o tempo tornou a realidade algo passageiro, relativo, fugidio… como ele próprio.

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