Ao afirmar, numa entrevista, que o Presidente Lula é “grosseiro”, “analfabeto” e “cafona”, o cantor Caetano Veloso cometeu certamente uma injúria, mas com isso denunciou-se a si próprio, revelando, de uma só vez, todo o seu preconceito político, o seu ódio de classe e uma enorme arrogância elitista.
É uma pena porque, apesar da admiração e simpatia que Caetano Veloso sempre nutriu por um dos mais retrógrados políticos baiano, o cacique Antônio Carlos Magalhães, muita gente acreditava que o ídolo da Tropicália ainda mantivesse alguma consciência política, e que jamais traísse aquele seu estilo diáfano, melífluo, tão característico da sua voz e tão próprio dos poetas.
Mas o fato é que o cantor baiano foi de uma violência verbal inesperada no seu ataque à pessoa do Presidente. Não soube sequer disfarçar o preconceito nem a própria egolatria. Foi infeliz e deve estar em apuros, pois a sua sensibilidade decerto que poderá incomodá-lo por algum tempo. É que a sensibilidade natural dos poetas não tolera grosserias desse tipo.