Os dias de chuva são dias de recolhimento, de calmaria, de solidão. A chuva frustra os encontros e justifica a ausência dos outros. É saudade diáfana e portanto é nostalgia. A chuva desculpa a solidão humana.
Nas páginas de Gabriel Garcia Marquez, em A má hora, depois que soou o toque-de-silêncio no vilarejo da estória, um personagem recolheu-se à própria casa e, sozinho, começou a escrever uma carta enquanto “a chuva apagava o mundo ao seu redor”.
É isso, a chuva é um toque-de-silêncio, um toque-de-recolher. E se ela apaga mesmo o mundo ao nosso redor, como diz o velho Gabo, ficam plenamente explicadas a solidão, a calmaria e a paz. Apagando o mundo lá fora, além de justificar a solidão humana, a chuva “apaga” os medos e as ameaças que sempre povoaram o mundo à nossa volta.