O outro lado da fé

February 8th, 2010 by machado

A fé é uma espécie de dom. Isto é, o dom de ter esperança. Esperança que sempre ajuda a enfrentar a angústia, o absurdo e o desespero que tanto atormentam a existência do homem. Dessa forma, a capacidade de ter fé, de seguir acreditando, de não desanimar nunca, mesmo diante do silêncio, da dor e dos absurdos que a vida nos vai colocando,  é algo realmente muito importante e até desejável.

Mas, como tudo no mundo, a fé tem também os seus problemas. Veja que às vezes ela fica  muito vulnerável, suscetível até, às várias investidas  do  fanatismo. Sempre foram muito comuns os casos de sacrifícios físicos, de auto-flagelos, de renúncia de si mesmo,  e até de muitas guerras em nome da fé religiosa, ou de algum Deus, seja Este qual for.

Um outro problema grave reside no fato de que a fé  não pode e não sabe entender-se a si mesma. Isto é um sinal de que ela não deseja, ou não consegue utilizar o raciocínio humano para explicar-se. Deve ser por isso que dizem que a fé é cega. Embora não seja caso de voltar à antiga querela entre fé e razão, o fato é que o bloqueio do raciocínio sempre leva a alguma forma de cegueira ou de dogma, e isto, como já ficou claro desde o triunfo das ideias iluministas no século XVIII, pode ser muito perigoso.

Certa ocasião, a propósito da mística do dia de “Corpus Christi”, perguntei a um casal muito amigo e muito religioso por que é que a hóstia sagrada representava o “corpo de Cristo”. E eles disseram, quase que em uníssono, que a hóstia não representa o corpo de Cristo, ela não é um símbolo, ela é o próprio corpo de Jesus, ou um pedaço dele. Para deixar as coisas bem claras, tornei a perguntar se a hóstia era um símbolo ou o corpo mesmo de Cristo. E eles, sem pestanejar, reafirmaram, com a maior convicção do mundo, que ela era de fato uma parte do próprio corpo do filho de Deus, não apenas uma representação simbólica, ou mística, desse corpo. Nem é preciso dizer que a conversa não prosseguiu, pois a questão estava definitivamente respondida, definitivamente resolvida.

O erro de Deus

January 29th, 2010 by machado

O erro de Deus foi querer criar este mundo, com tudo que há por aqui, de bem ou de mal, de bom ou de ruim. Foi realmente um grande equívoco reinvidicar tudo para Si; assumir a autoria ou paternidade de toda a criação, apresentando-se como um Ser onipotente, onipresente e onisciente que determina até mesmo o momento em que uma folha seca deverá desprender-se da árvore. 

É verdade que ao perceber o seu erro megalomaníaco Deus fez duas tentativas de repará-lo. Primeiro tratou de criar logo o diabo, atribuindo-lhe a autoria de tudo aquilo que há de mal e que não deu certo na criação; depois mandou o seu filho Salvador para nos livrar de toda a maldade do mundo, ajudando-nos a suportar as misérias, as desgraças, as tragédias e o desespero.

Porém, o fato é que nem uma nem outra tentativa acabou dando certo. Com efeito, a criação do diabo para assumir a paternidade do mal foi também um erro por parte de Deus porque é moralmente insustentável atribuir aos outros a responsabilidade pelos próprios deslizes, eximindo-se de qualquer culpa. E o diabo é também uma criação divina que acabou ficando por aqui e continua fazendo das suas, ampliando o mal por cima do bem.  O filho de Deus, por seu turno, também andou por aqui mas falhou na sua missão salvadora e acabou crucificado, propiciando apenas o surgimento de uma grande religião, ao lado de outras duas igualmente grandes (e outras tantas menores), as quais têm dividido os homens que às vezes até se matam em  nome das suas respectivas crenças. 

Até os homens, imperfeitos que são, também se puseram ao trabalho de reparar o erro de Deus, criando ideologias religiosas como o gnosticismo, por exemplo, que imagina a existência de um Deus menor e um Deus maior, ou um Deus bom e um Deus mal, atribuindo a este último a autoria de todas as misérias e mazelas que andam no mundo, na tentativa de isentar de culpa o Deus maior, o Deus bom, o Deus verdadeiro.

Não há dúvida de que, do ponto de vista estratégico, o melhor para Deus seria que Ele se apresentasse como alguém que chegou aqui e encontrou o mundo já pronto e acabado, tal como ele é, criado sabe-se lá por quem, talvez pelo diabo, e se pusesse ao trabalho digno e árduo de consertá-lo. Isso tornaria mais prática a tarefa de Deus e mais lógico os seus argumentos quando tivesse de explicar as mazelas do mundo e o mal que nele vai, sem qualquer embaraço ou constrangimentos, sem nenhuma responsabilidade, sempre na posição de autêntico representante do bem, adversário do mal, Salvador da humanidade. Mas agora parece que é tarde. O jeito é começar tudo de novo.

A solidão

January 25th, 2010 by machado

O homem é um ser gregário, só pode viver (e sobreviver) em sociedade, mas está condenado à solidão. Esse é um daqueles paradoxos que nem a ciência nem a filosofia jamais conseguiram explicar. E talvez não haja mesmo nenhuma explicação plausível para a solidão humana.

Por mais que se esteja cercado de pessoas, por mais que se busque a companhia dos outros, por mais que se esteja num mundo cheio de gente, de luzes e de sons, ainda assim haverá sempre uma solidão essencial, inerente à própria condição humana, e que contribui para tornar essa condição uma experiência ainda mais absurda.

Deve ser porque cada ser humano é único, é o resultado de algumas experiências tão singulares, tão próprias, tão profundas, que não podem mesmo ser compartilhadas. É que as circunstâncias mais profundas, justamente as mais decisivas, como a dor, o medo, as angústias, a alegria, o amor, a esperança, os sonhos e até a própria morte, no fundo, são experiências que só podem ser vivenciadas exclusivamente pelo próprio indivíduo, são experiências que se processam no interior, no íntimo, ou nas entranhas de cada um, silenciosa e solitariamente. Como já o disse André Malraux, “ninguém deita senão consigo mesmo”. Ou com os seus próprios medos e esperanças. A intimidade é uma solidão oficial, garantida por lei.

Não há saída, não há como fugir à solidão fundamental, indelével, presa no fundo de cada ser humano, como um destino inelutável, desesperadamente intransferível.

Albert Camus

January 15th, 2010 by machado

Neste último 04 de janeiro completaram-se 50 anos da morte do escritor, jornalista e pensador Albert Camus. Nascido em Mondovi, na Argélia, em 7 de novembro de 1913, e morto em 4 de janeiro de 1960, vítima de um acidente de automóvel em Villeblevin, nos arredores de Paris, o filósofo franco-argeliano foi um dos pensadores mais importantes do século XX. Nascido de pais pobres - o pai morreu muito cedo na Primeira Guerra, em 1914, quando Camus tinha apenas 1 ano de idade, e a mãe, de origem espanhola, era dona de casa – viveu desde menino na casa da avó, em companhia da mãe, do irmão mais velho e de um tio que era tanoeiro e que deveria ensinar-lhe essa profissão. Camus estudou emArgel com muita dificuldade e em 1939 mudou-se para Paris, onde passou a viver durante algum tempo na casa da sogra, em companhia da mulher Francine e dos dois filhos, Catherine e Jean. Vivendo como um autêntico pied-noir (argeliano naturalizado francês), teve de vencer a pobreza e a tuberculose.

E venceu a ambas, tornando-se jornalista, escritor, dramaturgo, filósofo e ganhador do prêmio nobel de literatura em 1957. O autor de O estrangeiro, A peste, O mito de Sísifo, O homem revoltado, Os justos, Calígula e de muitos outros romances, ensaios, novelas e peças de teatro, fez do absurdo da condição humana o ponto de partida para as suas mais profundas reflexões filosóficas.  É, talvez, o filósofo mais lúcido do século XX, conquanto houvesse morrido tão jovem, aos 47 anos, num estúpido (absurdo) acidente de automóvel.

Cinquenta anos depois de sua morte, é impressionante como alguns dos seus conceitos e categorias, como a própria noção de absurdo, de suicídio físico e intelectual e de revolta metafísica e histórica ainda continuam tão atuais. Camus negava peremptoriamente o rótulo de existencialista, mas as suas reflexões acerca da condição humana e das angústias do homem fazem-no, ao lado de Jean-Paul Sarte, um dos mais autênticos representantes do existencialismo francês no século passado.

Albert Camus foi um homem angustiado que percebeu no absurdo um ponto de vista privilegiado para a busca incansável da verdade num mundo crivado de contradições e de desesperança. As experiências absurdas, o “nonsense” da vida humana, o “sem sentido” que é estar num mundo absurdo, a falta de perspectivas, a solidão humana e as angústias daí decorrentes, constituem o universo das reflexões camusianas e, segundo o próprio filósofo, seriam os grandes desafios do homem lúcido.

O pensamento de Camus deve ser entendido para além de preconceitos políticos ou ideológicos, como uma luta jamais abandonada contra qualquer tipo de conformismo. Esse pensador foi realmente um intelectual engajado, um homem do seu tempo, mas um homem singular porque nunca se filiou, apaixonada e sectariamente, a qualquer corrente de pensamento, ideologia, orientação partidária, igreja ou religião. Além do que, como diria Fernando Pessoa, Camus não se socorreu jamais de qualquer espécie de manipanso, de fetiche, de refúgio – esotérico ou material –, para explicar ou até mesmo para se livrar da conhecida angústia existencial que, aliás, atravessou toda a sua vida e toda a sua obra.

Com efeito, é mesmo muito curioso o mecanismo mental desse argeliano naturalizado francês. Na verdade, uma mentalidade caracterizada, especialmente, pela coragem de estar frente a frente com o absurdo, de enxergá-lo em toda a sua plenitude, e de, mesmo diante do inexplicável, manter a lucidez desesperada, sem recorrer jamais a qualquer tipo de misticismo ou suicídio intelectual. Nas palavras de Roberto de Paula Leite, o grande mérito de Camus está em que ele “procurou convidar os homens a pensar, a cair sobre si mesmos na tentativa difícil, mas louvável de encontrar seu próprio destino”.

Não há sonho

January 14th, 2010 by machado

“A vida é sonho”, apregoava Calderón de la Barca já no século XVII. Alguns séculos depois o astro pop, John Lennon, proclamava: “o sonho não acabou”. E uma legião de idealistas ainda continua conclamando: “o sonho não pode morrer”.

Pois bem, eu digo que a vida não é sonho e que os sonhos também morrem. De fato, a vida tem lá os seus pesadelos, não é feita de sonhos apenas, e os sonhos acabam, ou porque se frustram ou porque se realizam. E há ainda os que são abandonados, ou substituídos por outros sonhos, numa espécie de traição. Não há nada pior para um sonho do que ser trocado por outro!

Há, bem sei, os que andam carregados de sonhos, de ilusões, fantasias e esperanças. São invejáveis, mas era bom que soubessem que os sonhos são efêmeros como a bruma que se esvai, são fugazes como as ondas do mar que arrebentam na praia, são transitórios como o vento que passa ligeiro… Impermanência e ilusão, na realidade os sonhos não existem, só há sonhadores.

Serra da Canastra, Janeiro/2010

Ainda o silêncio

November 25th, 2009 by machado

A sabedoria popular costuma valorizar o silêncio. Há uma infinidade de ditos populares que o atestam. Correm alguns como: “a palavra é prata, o silêncio é ouro”; “nunca arrependerás do teu silêncio”; “quem muito fala, muito erra”; “quem fala demais, dá bom-dia a cavalo”; “em boca fechada, não entra mosca” e outros mais. Até o José Saramago, num de seus romances, sentenciou: “só o silêncio é certo”.

Aliás, não é apenas a sabedoria popular que valoriza o silêncio. Na cultura jurídica ocidental ele até já ganhou o “status” de verdadeiro direito, ou melhor, “status” de direito fundamental, instalando-se no rol das garantias constitucionais dos acusados. Pois, como se sabe, os réus podem permanecer calados diante de juízes e tribunais sem nenhum prejuízo para as suas defesas, como, por exemplo, o prejuízo do “quem cala consente”.

Um filósofo, não me lembro qual, já aconselhou o seguinte: quando não se tem certeza de que aquilo que se vai falar é melhor do que o silêncio, deve-se permanecer calado”. O escritor e poeta italiano, Alessandro Manzoni, neto do famoso penalista Cesare de Beccaria, afirmava que “só a música consegue exprimir mais do que o silêncio”.

Pois é, o silêncio parece ser realmente algo precioso, valorado como sinal de sabedoria e prudência pela cultura popular, pela filosofia, pelos poetas e até pelo direito. Mas, apesar disso, ou talvez por isso mesmo, observe-se como nem sempre é fácil exercitá-lo. O silêncio é uma arte!

O destino

November 21st, 2009 by machado

As opiniões se dividem entre os que acreditam e os que não acreditam no destino. Para alguns, tudo aquilo que acontece no mundo, acontece porque teria de acontecer mesmo, já estava pré-determinado pelo “destino”, como se fosse o resultado fatal de uma “lei de causa e efeito”. Para outros, no entanto, não existe um destino pré-estabelecido, fatal e determinístico, pois tudo quanto acontece na vida do homem seria produto do seu agir intencional, do seu livre-arbítrio, das livres escolhas de cada um, ou, quando muito, obra do acaso.

Porém, no fundo, essa discussão parece não ter sentido nenhum. Realmente, tudo o que acontece, simplesmente acontece porque aconteceu, e, por isso mesmo, trata-se de um fato histórico e pronto. A única realidade é aquela que de fato ocorreu e que passou a existir, seja lá qual for o motivo que a determinou. Não há, portanto, uma alternativa à realidade que já se consumou. O que é real é um fato consumado que aniquilou a possibilidade de ser um fato diferente, ou de se constituir numa outra realidade.

É claro que tudo o que acontece de uma determinada maneira poderia ter acontecido de maneira diferente. Mas, aquilo que não aconteceu, simplesmente não existe. E se não existe não poderia ser obra de nada nem de ninguém. Logo, só se pode falar em destino, em livre-arbítrio ou em acaso depois que os fatos acontecerem, depois que eles se tornarem realidade. Por isso, não tem sentido, nem por quê, falar-se que a realidade e os fatos, que sempre acontecem numa ou noutra direção, seriam obra disto ou daquilo, pois tudo o que é, é, e pronto. O destino constata-se depois.

O tempo

November 17th, 2009 by machado

Costuma-se dizer que tudo quanto existe, existe no tempo, ou durante algum tempo. Está errado. O correto seria dizer que tudo quanto existe, existe com o tempo, e não no tempo. É exatamente isso o que comprovou a teoria da relatividade de Einstein quando descobriu que o tempo é um dos elementos que integram a própria realidade, e não apenas o vácuo onde essa realidade se manifesta.

Assim, tudo quanto existe, inclusive o homem, só existe e só pode ser compreendido levando-se em conta a dimensão ou os limites do tempo. E se tudo o que existe, e nós próprios, temos uma dimensão temporal, então deve ser por isso que somos passageiros, efêmeros, finitos… como o tempo.

Mas o tempo seria finito? Ele passa, e continua passando, e ao passar permanentemente não acaba nunca. Perpetua-se como presente, passado e futuro. Tudo tem um limite com o tempo - a realidade material e também o homem -, mas o próprio tempo parece não ter limite nenhum, parece ser infinito. Além de infinito, dizem que o tempo tudo pode. E além de onipotente, ainda seria o “senhor da razão”.

Será que o tempo é a única dimensão eterna da realidade, ou a única coisa que permanecerá depois de tudo? O tempo seria Deus?

Tudo flui

November 16th, 2009 by machado

Desde a Antiguidade, o filósofo pré-socrático, Heráclito de Éfeso, já dizia: tudo flui, ou, na fórmula grega, “panta rhei”. Com isto ele queria dizer que a realidade está em parmanente mudança. Assim, segundo Heráclito, um homem não conseguiria entrar duas vezes no mesmo rio, porque, ao entrar e sair, na segunda vez o homem já não seria exatamente o mesmo, nem o rio teria as mesmas águas. O filósofo concluia, então, que “a única constante é a mudança”, afirmando que essa mudança se dá dialeticamente, ou seja, pela ação de forças contrárias entre o real e o não-real.

Pois bem, apesar dessa constatação acerca da realidade, e que até hoje não desmentiu-se, o fato é que o homem (também ele uma parte integrante da realidade), segue com os seus anseios de establilidade, de certeza, de previsibilidade, de permanência, e até mesmo de eternidade, em completo desacordo com a constante mudança do mundo.

Deve estar aí a origem das várias angústias e até do desespero com que muitas vezes lidamos com a realidade. O filósofo Albert Camus, agora no século XX, diria que está exatamente nisso o absurdo da condição humana: nos anseios de permanência e eternidade do homem em face do “silêncio despropositado” do mundo, que segue mudando, indiferente a esses anseios humanos. E parece que não há mesmo nenhuma saída para esse absurdo camusiano, pois o mundo só pode continuar existindo por força da mudança, justamente a mudança que implica a efemeridade e a finititude de tudo, inclusive a do homem.

A vida, o amor e o tempo

November 11th, 2009 by machado

A vida e o amor têm muita coisa em comum. Dizem que ambos são belos, sublimes, sagrados. Pode-se dizer até que a vida, quase sempre, é o resultado do amor. Mas há ainda uma outra identificação entre os dois que é especialmente marcante, ou seja, o amor e a vida pretendem ser eternos. E até se poderia dizer que são mesmo, parafraseando o imortal Vinícius de Moraes, mas só enquanto durarem.

Essa é a questão: o belo, o sublime, o sagrado e até a eternidade somente têm sentido se levarmos em conta o fator tempo, ou seja, a ideia de duração. Mas o próprio tempo é um limite, e o problema é que todo limite tem algo de incompreensível e de absurdo. Veja como o limite da vida pode estar logo ali, numa doença incurável, num acidente fatal, ou pode estar lá longe, na velhice dolorosa e decrépita, mas, em qualquer caso, sempre será uma expressão do absurdo: tanto a morte prematura quanto a lenta degeneração.

É curioso como o limite do amor parece seguir, mais uma vez, um destino semelhante ao limite da vida, pois ele pode estar logo ali na separação brusca e inevitável, ou mais longe, na ação prolongada e corrosiva do tempo, que põe a indiferença no lugar do desejo.

O segredo parece estar, portanto, exatamente no tempo. No tempo da vida, no tempo do amor e no tempo do limite. Mas, e o tempo, o que seria?  Se não encontrarmos uma boa resposta, podemos ficar ainda com o velho Horácio: carpe diem, na vida e no amor!

Mas, é importante notar, o carpe diem horaciano não esclarece nada, apenas suspende o raciocício sobre qualquer possível explicação para o absurdo da condição humana, e talvez seja até uma espécie de alívio, ou de compensação, para esse absurdo.

A explicação deve estar mesmo no tempo, que é uma das dimensões da realidade, segundo a física de Einstein. E talvez seja justamente por isso, por ser uma das quatro dimensões do real, por ser parte integrante de tudo quanto existe, que o tempo tornou a realidade algo passageiro, relativo, fugidio… como ele próprio.